o quanto cada pessoa é fruto da história?
digo, da história como ciência, como saber, como conhecimento acumulado, como época.

essa talvez seja uma das perguntas fundamentais pro poeta charles simic. ele nasceu na sérvia, nos anos 1930, mas bem cedo se mudou para os estados unidos por causa das guerras do século passado.

essa experiência dele, esse contato com o poder do outro logo cedo, interferiu diretamente no modo como ele enxerga o mundo e na produção da sua poesia, da sua arte. suas poesias tem muito desse andamento normal da vida, mas a deixando subentendido que as cenas estão no meio do caos, da violência, do perigo. ele descreve visualmente um jardim, mas sonoramente uma explosão ao fundo. é sempre um jogo do que está sendo visto e do que não está sendo mostrado.

ele pensa muito a relação do indivíduo com uma história macro, não no sentido de participar ativamente do progresso ou vítima de uma grande catástrofe, mas nos aspectos que dizem respeito ao arbítrio daqueles que são mais poderosos que você. que de certa forma determinam quem morre e quem vive, quem luta e quem assiste. no meio disso, ele coloca um quê de espiritualidade, como para questionar o arbítrio dado a todos os outros também.

ele ainda está vivo, ainda está produzindo, e uma parte bem pequena dessa poesia dele chegou agora ao brasil. uma edição organizada e traduzida por Ricardo Rizzo. é uma seleção de poemas que falam de prisões, de crucificações e da precariedade do mundo. é sobre morte, sangue e lugares abandonados. é sobre espelhos, janelas e gritos.