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biblioteca
essencial

camila
assad

escritora

nasceu em 1988 em Presidente Prudente.  É autora dos livros Cumulonimbus (2016), eu não consigo parar de morrer (2019) e Desterro (2019), obra contemplada pelo Proac/SP na categoria criação literária.  Tem textos e publicações em mais 8 países. Atualmente mora em São Paulo.

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as cidades invisíveis,
italo calvino

Li pela primeira vez no primeiro termo da faculdade de Arquitetura. Calvino é dos meus autores favoritos, e esse livro em questão consegue unir muita coisa que eu gosto: o urbanismo, a literatura, as viagens. Ao criar cidades que não existem, o autor se mostra um exímio ficcionista, sugerindo novas possibilidades de habitar e por consequência novos modos de vida. Nesse livro, a cidade deixa de ser um conceito geográfico para se tornar um símbolo complexo e inesgotável da experiência humana.

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cem anos de solidão,
gabriel garcía marquez

Essa talvez seja uma referência óbvia, a obra latina mais conhecida, uma referência atemporal. É muito rico acompanhar a saga da família Buendía e os acontecimentos que se passam numa aldeia imaginária chamada Macondo, que é também um espelhamento de toda a América Latina. Ao mesmo tempo em que a saga familiar pode ser entendida como uma autêntica enciclopédia do imaginário, ela é narrada de modo a parecer que tudo faz parte da mais banal das realidades.

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o deserto dos tártaros,
dino buzzati

Gosto muito do Buzzati enquanto escritor e também desenhista (Poema em Quadrinhos vale a leitura). Nesta obra, ele se vale de alegorias para tratar de temas como a solidão, a passagem do tempo. necessidade humana de dar sentido à vida e o desejo de imortalidade através da glória. Há uma poesia espacial que me agrada bastante, o autor está sempre explorando uma visão fantástica e absurda do real, num estilo muito próprio. Me encanta a conotação onírica presente na obra.

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poema sujo,
ferreira gullar

Composto por um único poema, o autor escreveu o Poema Sujo no exílio, acreditando ser seu último trabalho. Talvez por isso eu sinta nele uma caráter de urgência, de luta e de fúria. Gullar rememora sua infância em São Luís, sua mocidade, as relações familiares e afetivas. Esse é um livro que leio pelo menos uma vez por mês, devo ter ele decorado, funciona como um mantra, uma reza lírica que me impulsiona enquanto poeta e enquanto ser humana. E ele termina dizendo: “O homem está na cidade/como uma coisa está na outra”. Tão rico e com tantas camadas de interpretação.

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um teste de resistores,
marília garcia

Minha indicação de poesia contemporânea é a obra da carioca Marília Garcia, sobretudo esse livro. Especialmente porque a Marília se arrisca a estar num local em que a gente se questiona “isso é poesia?”. O texto dela opera ao rés do chão, numa proximidade que poucos autores até hoje ousaram a tentar. Talvez a palavra chave aqui seja procedimento, o livro se desloca entre pontos urbanos, com referências de cineastas, artistas plásticos, outros escritores e no fim o leitor percorre também um caminho rico entre os limites (ou a falta deles) da fronteira do poema.

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morra, amor,
Ariana Harwicz

Entra aqui meu desejo de colocar autoras mulheres, latinas, em atividade. Que os escritores homens argentinos impactaram a vida de todo bom leitor, não há dúvidas. Mas as chicas argentinas não ficam pra traz em qualidade. Tenho lido bastante Mariana Enriquez, Samanta Schweblin, Pola Oloixarac…mas esse livro da Ariana me fisgou com sua espécie de neosurrealismo, um fluxo de consciência muito bem construído, além de tratar de temas ainda tabus na sociedade contemporânea como o puerpério e a maternidade sem romantizações.