biblioteca
essencial

marcelo
vicintin

escritor e empresário

Autor de “as sobras de ontem” (companhia das letras, 2020). em sua biblioteca essencial, estão livros que o impactaram profundamente, não são tão famosos e são capazes de agradar diferentes tipos de leitores.

O Leopardo

O LEOPARDO,
Giuseppe Tomaso di Lampedusa

Um livro essencial para se perceber a beleza que existe na decadência. Como todo grande livro, O Leopardo me ensinou a olhar com  compaixão e empatia para as pessoas e os costumes que ficam para trás quando a mudança, revolucionária ou reformista, chega e se impõe.

Os Belos e Malditos

OS Belos e MalditoS,
F. Scott Fitzgerald

Menos conhecido que O Grande Gatsby, esse livro de 1921 é para mim o maior dos romances do Fitzgerald. Outro livro sobre decadência, mas nesse caso, ela é aquela causada justamente pela ausência de qualquer mudança: se em O Leopardo a decadência vem de fora e se impõe, aqui ela vem de dentro, e corrói tudo aos poucos.

O Teatro de Sabbath

O Teatro de Sabbath,
Philip Roth

Fui profundamente impactado por esse livro estranho, que parece fechar uma longa digressão iniciada por Roth em O Complexo de Portnoy sobre o lugar do homem branco, heterossexual, livre e esvaziado de propósito no mundo contemporâneo. Um estudo brilhante do niilismo hedonista contemporâneo.

As Benevolentes

As Benevolentes,
Jonathan Littell

Um oficial da SS nazista que consegue escapar de qualquer punição e dez anos depois escreve sua confissão brutal e transtornada. O trabalho de pesquisa monumental do autor dá um realismo absurdo ao Mal levado às ultimas consequências. O capítulo de abertura desse livro é talvez o melhor monólogo sobre psicopatia que eu já li.

Angustia

Angústia,
Graciliano Ramos

Um livro para se ler com o maxilar travado. A construção psicológica do personagem principal é absolutamente fantástica. Muito interessante ver um autor do tamanho de Graciliano construir sentimentos complexos na cabeça de seu personagem e lapidar esses sentimentos lentamente: de desejo à culpa, de culpa ao rancor, de rancor à raiva.

A arte e a maneira

A Arte e a Maneira de Abordar Seu Chefe Para Pedir Um Aumento,
Georges Perec

Para terminar com a leveza do humor: esse livro me impactou muito por mostrar como é possível se tocar em coisas essenciais e atemporais, morrendo de rir ao mesmo tempo. Humor e profundidade não são excludentes e Perec está aí para nos lembrar disso (entre outras coisas).

Foto do autor:  fábio audi