rita
isadora
pessoa

é uma escritora nascida no Rio de Janeiro, Mestre em Teoria Psicanalítica (UFRJ) e doutora em Literatura Comparada (UFF).

Publicou A vida nos vulcões (Oito e meio, 2016), Mulher sob a influência de um Algoritmo (Prêmio Cepe Nacional de Literatura, 2017) e Madame Leviatã (Edições Macondo, 2020). Participou da antologia As 29 poetas hoje (Companhia das Letras, 2021), organizada por Heloísa Buarque de Hollanda.

O morro dos ventos uivantes,
Emily Brontë

Em Wuthering Heights, temos uma das construções literárias mais bem-sucedidas de um amor demoníaco, obsessivo, malévolo – completamente dionisíaco e terrível. Além disso, a linguagem é de uma beleza arrebatadora e eu sou particularmente atraída pela estrutura narrativa dupla com dois narradores não confiáveis.

A volta do parafuso,
Henry James

Minha novela gótica preferida. Uma obra-prima de ambiguidade sustentada até o final, imagens aterrorizantes que me capturaram pela primeira vez e causaram uma impressão estética forte aos quinze anos. A estrutura narrativa é complexa e labiríntica, o que testemunha uma engenhosidade que funciona bem, no fim das contas.
 

Poemas escolhidos,
Emily Dickinson

A edição bilíngue de bolso da LPM (custando 8 reais em 2008!) me proporcionou o primeiro encontro com aquela que se tornaria uma das minhas poetas preferidas de língua inglesa. Essa mulher estranha de Amherst, toda de branco, me assombra profundamente. Versos como “a Quartz contentment, like a stone” me paralisam até hoje.

moby dick,
Herman Melville

Quatro anos de imersão de pesquisa nesse romance e eu posso dizer uma coisa: todos nós temos uma baleia branca para perseguir e nomear ao longo da vida. Afora isso: amo o aspecto fragmentário de Moby-Dick e a impressão de que há pelo menos três livros diferentes lá.

ariel,
sylvia plath

Toda vez que eu penso que superei meu amor juvenil por Sylvia Plath, eu releio Elm e Ariel e ouço cascos ribombando num chão úmido recém-coberto de cerração. Desisti de tentar superar.

franny & zooey,
J.d. salinger

Mesmo sem superar o ranço pela figura do autor, eu sou incapaz de negar a genialidade da família Glass, na minha opinião, sua melhor criação. Uma prosa vigorosa, rápida e envolvente. Foi a primeira vez que eu tive a experiência em literatura de que era possível adoecer gravemente por um motivo estético. Brinco que Franny Glass é meu espírito animal – adoecida por uma infecção causada por uma peça de ficção.


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