o passado mal resolvido está de volta e cospe a violência que secretou por anos. o presente parece ser o futuro inscrito nas distopias do século passado. nosso engano foi achar que o fim do mundo aconteceria com uma explosão, ao invés disso, assistimos seu lento desmoronar. cambaleamos trôpegos entre ruínas, onde avistamos avenidas sujas e iluminadas por luzes coloridas, autocratas estúpidos no poder, florestas em chamas e falta de ar. nessa vida rarefeita, onde morte é esquecimento, sufocamos entre cabos, telas, poluição, drogas, alta tecnologia e hiperconexão de olhares perdidos.

[nome], de ítalo dantas, reverbera a melancolia e o cansaço de uma geração que precisa encontrar maneiras de viver durante o apocalipse, de corpos máquina ansiosos, assolados pela insônia ou pelas alucinações do sono. onde passado e futuro se expressam com força e o presente se apaga nas desordens de nossos espíritos.

o caos de fora reflete dentro e está nas poesias cheias de glitchs de italo dantas. onde caracteres repetidos, deslocados e não reconhecidos mostram a esquisitice, a confusão e a loucura nos cérebros de cada ciborgue do século 21, insanidade que às vezes só pode ser expressa batendo a cabeça no teclado, pra logo levantar os olhos e ver o que foi escrito na tela. nessa situação, pra permanecer no presente, vale tudo: pranayama, kumbhaka, cocaína, ansiolíticos e café. Talvez até escalar machu picchu, ser um desbravador de torrents, passar as férias em mulholland drive e mergulhar na toca de cutulhu. mas aqui, qualquer tática para fugir do niilismo leva a vitórias pequenas e insatisfatórias, a enganos autoinduzidos, a badtrips arrasadoras, porque aqui tudo segue a lógica da entropia.

[nome] é um livro inflamável que faz o coração bater mais de 110 vezes por minuto. a seguir a gente separou alguns trechos do livro pra vocês ingerirem restos de coragem e tentarem mais uma vez, mesmo com agulhas dançando sobre as íris.