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nasceu em 1980, é cearense e mora em São Paulo. Autora do livro de contos Copacabana dreams (Cosac Naify, 2012), finalista do Prêmio Jabuti, e do romance Os tais caquinhos (Companhia das Letras, 2021).

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CHAPEUZINHO AMARELO,
CHICO BUARQUE

Minha primeira experiência literária. Li essa história ainda sem saber ler. Os desenhos medonhos e o clima estranhíssimo desse livro são parte das minhas memórias mais primitivas. Depois de um grande retorno de 35 anos, comprei no mercado livre uma edição antiga para as minhas filhas, mas ainda não tive coragem de reler.

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ARQUIVO DAS CRIANÇAS PERDIDAS,
VALERIA LUISELLI

Esse livro me impactou de um jeito que ainda não consigo organizar na minha cabeça. Certamente vai influenciar nas minhas próximas produções, ou seja, vou tentar imitá-lo na cara dura. Amo a maneira inteligente que ela costurou a história, revelando tão elegantemente o viés. E todo o conceito de ficção documental da literatura dela. A Valeria é uma monstra.

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O JARDIM DE CIMENTO,
IAN MCEWAN

Ainda hoje sinto o cheiro perturbador desse romance inesquecível. Ele é imenso com suas 138 páginas e sua atmosfera assombrosa. Depois que o li, comecei imediatamente a escrever Os tais caquinhos. Gosto de pensar que meu livro foi construído em cima do porão daquela casa triste e tão viva.

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IRACEMA,
JOSÉ DE ALENCAR

Não li Iracema no colégio, mas logo depois, nos primeiros anos de faculdade. Para mim, esse livro é um feitiço. Uma homenagem exuberante à língua portuguesa. Uma joia de família, uma sinfonia, uma pintura à óleo descomunal, dessas onde, em pé no museu, você mergulha em zoom, como na clássica cena de “Curtindo a vida adoidado”.

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A HORA DA ESTRELA,
CLARICE LISPECTOR

Descobri a Macabéa ainda adolescente e até hoje não conheço uma personagem mais fascinante. Este livro me dobrou em mil partes. A hora da estrela revolucionou a minha maneira de pensar, de ver e de sentir. Ainda estou pasma. Lembro da surpresa ao ler essa história e pensar: “mas se pode entrar assim tão fundo numa história, numa pessoa?”.

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A GAIVOTA,
Anton Tchekhov

Sou muito fã do Tchekhov, li vários contos dele, também vi algumas de suas peças. A gaivota foi a primeira delas. Era uma montagem do Enrique Diaz, impressionante e inesquecível. Depois li e reli essa peça, vi e revi em cena esse texto. Sempre é muito fresco, sempre choro. O monólogo da Nina, uma jovem aspirante a atriz, me assombra e me fere de morte.

Foto da artista: Renato Parada