biblioteca
essencial

leonardo
marona

escritor

nasceu em Porto Alegre (rs) no dia 4 de fevereiro de 1982.
Publicou os livros: Pequenas biografias não-autorizadas (poesia, 7Letras, 2009); l’amore no (poesia, 7Letras, 2011); Conversa com leões (contos, Oito e meio, 2012); Óleo das horas dormidas (poesia, Oficina Raquel, 2014); Cossacos Gentis (romance, Oito e meio, 2015); Herói de Atari (poesia, Garupa Edições 2017); Dr. Krauss (novela, Oito e meio, 2017); Uma baronesa às quatro da madrugada (poesia, Urutau, 2018); Não vale morrer (romance, Edições Macondo, 2021) e Baby Buda (poesia, Corsário Satã, 2021).

 

image2

SANGUE SÁBIO,
FLANNERY O’CONNOR

Quando Flannery O’Connor escreve, é como se uma Bruxa de Salém ditasse uma nova bíblia, inaugurando uma nova relação com a figura divina. Ela põe em movimento seres totalmente desprovidos de espiritualidade, mas numa busca tão frenética por algo misterioso, que se tornam fanáticos de uma espécie de antirreligião. Cheguei nesta novela através do diário de preces da autora, escrito quando ela tinha 21 anos de idade e que já mostra esse embate entre não crer e querer crer.

71cmVpSA3bL

SÃO BERNARDO,
GRACILIANO RAMOS

É meu autor brasileiro favorito. Criou com suas obras uma espécie de manual da escrita essencial. O mais econômico e elegante. Talha as frases como quem lava roupa em pedra de rio. E, entre todas as suas obras, a que mais me marcou foi São Bernardo, seu livro mais dostoievskiano. Acompanhamos em suas páginas a corrosão de um homem pelo ciúme doentio e pela paranoia política. Um livro eterno, sempre atual, enquanto houver pessoas.

caixa-hospicio-e-deus-e-o-sofredor-do-ver

HOSPÍCIO É DEUS,
Maura Lopes Cançado

Mais do que uma obra-prima da escrita de cárcere, sem dever nada a Dostoiévski, Primo Levi, Jean Genet, Lima Barreto, entre tantos outros mestres no gênero, este diário manicomial de Maura Lopes Cançado salvou minha vida, literalmente. Foi no momento mais crítico da minha existência que eu li este livro. E ele foi uma mão estendida dentro da loucura, uma boia de salvação, um trampolim no fundo de uma escuridão tremenda. 

4727698677-georges-bataille-minha-mae

minha mãe,
georges bataille

Cheguei neste livro meio sem querer num sebo. Chamou-me atenção este autor de quem já havia lido um livro estranhíssimo que punha crianças a lidar livremente com muitos dos nossos tabus sexuais de adultos, chamado História do Olho. Depois de ver uma foto do autor, completamente vesgo, com cara de lunático, tive a intuição de que Minha Mãe levaria a relação entre desejo e proibição ao limite do incesto materno. Não me enganei. Para um órfão de mãe, como eu, causou um enorme impacto.

38c7bbbedb5b5ebdb4ebfa06cdff17e3

trópico de capricórnio,
henry miller

Há uma mitologia em torno deste livro, de que seria o resultado do movimento kamikaze que Miller fez em sua vida pessoal, abandonando o confortável cargo de administrador dos correios para ser escritor full time em Paris, ainda a saudosa Paris da rica safra de prosadores norte-americanos, como Fitzgerald, Sherwood Anderson, Hemingway, John dos Passos etc. Quando fez esse movimento crucial em sua vida, com risco total, Henry Miller tinha cerca de 40 anos. O que me deu esperança, quando eu era jovem.

nadarnapiscinadospequenos

Nadar na piscina dos pequenos,
Golgona Anghel

A mais contemporânea figura da minha lista. É a melhor poesia que li nos últimos anos, totalmente implacável, às vezes de uma rigidez incômoda, mas sempre uma gargalhada na cara das nossas vergonhas mais secretas. Golgona nasceu na Romênia, em 1979, mas vive há anos em Portugal, idioma que adotou e utiliza em sua obra poética com estilo inusual e, eu diria até, assustador. 

Foto: Rita isadora pessoa