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essencial

maria júlia rêgo

artista multidisciplinar

graduada em design pela UFPE. nos fazeres gráficos, atua principalmente no campo editorial, como capista, ilustradora e pesquisadora-amadora de livros de artista.

em seu trabalho autoral (bem como no gosto pela literatura), está sempre atrás das sutilezas da memória afetiva e da auto-documentação.

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linha m,
patti smith

como não podia deixar de ser, começo pela minha musa-mór, patti smith. se ler just kids te dá aquela descarga de adrenalina que é a vontade de largar tudo com pressa de viver, m train, por sua vez — esse livro de memórias vagarosas e literárias — me ensinou muito sobre paciência e disciplina e me fez beber muito mais café.

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mala na mão & asas pretas: obras reunidas, volume 2,
roberto piva

fiquei penando pra decidir o que indicar de poesia, mas acabei me decidindo por outro herdeiro-beat. roberto piva tem essa lascívia desenfreada e ritmo bizarro que me atropelam e me fascinam, é gula e indigestão. ultimamente tenho me voltado pra uma poesia que é mais física e ele cabe nesse momento. fico horas num verso, mastigando. acho difícil, suo um tanto, mas gosto de me sentir desafiada por eles.

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o lobo da estepe,
hermann hesse

acho que esse foi o livro que me abriu pra um outro tipo de literatura e pra um entendimento mais cru e mais adulto de mim mesma ali nos pré-20 anos… não sei se eu o leria com os mesmos olhos hoje, mas sem dúvida foi essencial. tenho um carinho grande e é um bom caminho pra toda obra do hesse, um clássico dos introvertidos.

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breves entrevistas com homens hediondos,
david foster wallace

apesar de normalmente ver pessoas advogando sobre como o ficando longe… é a melhor iniciação em DFW, meu primeiro contato profundo com ele foi nesse livro de ficção já cheio de notas de rodapé, e é difícil de resumir assim como é difícil não se repetir quando se fala desse autor com quem quase compartilho o aniversário: só se sabe vivendo, mesmo. não é uma escrita fácil de entrar, mas incorpora tudo que me interessa tematicamente e estilisticamente, essa coisa escalafobética mas que tem sua ternura.

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fun home,
alison bechdel

eu não sou uma pessoa tão dos quadrinhos quanto gostaria, mas fun home foi uma leitura marcante que virou logo nas primeiras páginas um dos meus livros favoritos – sensível, literato, autobiográfico, melancólico. me acertou em cheio. dá pra falar em “obra prima” – uma que ainda foi adaptada pro teatro, se tornando o primeiro musical da broadway com uma protagonista lésbica! melhor combo.

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a nova arte de fazer livros,
ulises carrión

livro-poema ou livro-manifesto. não sei se essa é uma obra muito conhecida fora do nicho das pessoas que vivem o fazer livros e a publicação independente, então pensei em recomendá-lo! é uma leitura leve, curtinha e divertida pra qualquer pessoa que goste de palavra, linguagem, tinta, papel. e é facinho achar o pdf traduzido pelo amir brito cadôr. um bom incentivo pra se autopublicar, também!