joão
gabriel
madeira
pontes

é poeta, nascido em 1992, no Rio de Janeiro. É autor dos livros Indiscrição (Kazuá, 2016), Saúvas Avulsas (Garupa, 2019) e Manobra de Heimlich (7Letras, 2021).

Armadilha para Lamartine,
Carlos Sussekind

Talvez o meu livro favorito de prosa brasileira. Uma investigação muito bem humorada sobre o significado de autoria, sobre a relação entre pais e filhos, e sobre a loucura. Concordo com Ana Cristina César, para quem Armadilha para Lamartine “tem a qualidade de nos virar a cabeça silenciosamente, com discreta malícia e humor, com impecável mansidão, e nos lançar num poço sem fundo de associações”.

The Lottery and Other Stories,
Shirley Jackson

Eu não poderia deixar Shirley Jackson fora desta lista. É difícil não ser seduzido pela inquietação latente, pelo horror sutil e pelo humanismo escancarado dos seus contos, que escapam a todo e qualquer rótulo. Sempre me sinto como uma criança descobrindo o mundo quando leio Shirley Jackson.
 

Claro Enigma,
Carlos Drummond de Andrade

O livro definitivo do Drummond, a meu ver. Depois que o li, na virada da adolescência para a vida adulta, a minha maneira de pensar e de escrever poesia se alterou completamente. Dou especial destaque à seção em que o poeta analisa a fundação da nação brasileira a partir de Minas Gerais, sobretudo em Os bens e o sangue.

ângulo de guinada,
Ben Lerner

Foi o livro que me introduziu à obra do Ben Lerner – hoje em dia, um dos meus escritores prediletos. São ensaios de forma muito perspicazes, que nos permitem refletir sobre os mais variados temas, desde os limites entre os espaços público e privado, até a relação entre humanidade, Deus e tecnologia.

After Nature,
W. G. Sebald

Eu poderia ter optado por outro livro do Sebald, como Austerlitz ou Os Anéis de Saturno, mas preferi ficar com esse longo poema em prosa, que também embaralha, recombina e brinca com os gêneros, além de chamar para a festa personagens históricos tão diversos quanto o pintor Matthias Grünewald e o explorador Georg Steller. Imperdível.

Top Girls,
Caryl Churchill

Em termos de pesquisa teatral sobre a mulher, seus papéis sociais e seus desejos, Top Girls rivaliza com clássicos como Lisístrata, de Aristófanes, e Macbeth, de William Shakespeare. A peça é ainda mais corajosa por ter se proposto a discutir políticas de gênero na Inglaterra, sob a perspectiva de uma dramaturga, enquanto o moralismo neoliberal se consolidava no país.


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