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poeta e editor

nasceu em ourinhos, morou na capital paulista e hoje vive e atua em Botucatu. formado em Direção e Roteiro pela 1º turma da Academia Internacional de Cinema (AIC), nos últimos anos teve seus videopoemas exibidos em mais de 10 países. desde 2015 também se dedica às publicações independentes, tendo editado cerca de 18 títulos entre obras suas e de outros autores através do NADA∴Studio Criativo, um híbrido de ateliê de criação multimídia com microeditora independente.

Em 2021, publicou a “tetralogia etílico-poética” Pra estancar essa sangria, que reúne seus três primeiros livros, publicados em edições artesanais, mais um inédito.

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Para Viver um Grande Amor,
Vinicius de Moraes

Apesar das inquestionáveis habilidades literárias do Poetinha, incluo aqui este livro mais por questões afetivas, por ter sido a obra que me apresentou não somente a poesia, mas também a prosa, banhadas nesse romantismo que ama exaltar os encontros e não se acanha em lamentar os desencontros, algo que carrego em minha escrita & vida até hoje. Destaco o poema o amor dos homens, uma pancada que continua me espantando toda vez que releio.

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Os anões,
Verônica Stigger

As curtas histórias deste livro causam um impacto imediato pelo misto de nonsense e violência em doses cavalares, a ponto de nos arrancar risos ainda que diante do sangue quase pingando das páginas deste livro — páginas grossas, muito grossas, num projeto gráfico-editorial esteticamente simples e conceitualmente ousado, resultando num belo objeto que dialoga muito bem com o radicalismo da autora, uma das vozes atuais mais ousadas a alcançar visibilidade comercial.

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Promethea,
Alan Moore

A mais solar e colorida obra do mago Alan Moore é também, ao menos até agora e para mim, sua obra-prima. Em simbiose completa com a arte de J.H. Williams III, a HQ possui três arcos bem marcados, começando como uma narrativa de ação que se transforma em uma introspectiva jornada cabalística e culmina num experimentalismo narrativo-visual regado a muita metalinguagem, (mais uma vez) elevando as HQs a um outro patamar.

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Exploradores do Abismo,
Enrique Vila-Matas

Escrever sobre a própria literatura, sobre o ato de escrever e a vida de quem escreve, é um recurso muito usado por quem escreve, eu incluso. Mas fazer disso um projeto narrativo meta/autoficional durante décadas, como Vila-Matas, é para poucos. Nos textos deste livro, o autor explora isso com tanta habilidade que por um momento cheguei a pensar que ele resolveu escrever “simplesmente”, mas de repente o reflexo se confunde com quem se olha…

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Fragmentos de um Discurso Amoroso,
Roland Barthes

Tive essa obra em um arquivo em pdf durante quase uma década e nunca lhe dei atenção, mas, uns meses atrás, após o fim de uma relação que me abalou, por sugestão de uma amiga, comprei e comecei a ler. Partindo de recortes literários, filosóficos e sua própria vivência, a subjetividade da experiência amorosa é aqui observada e comentada de maneira quase científica, e um tanto cínica, pelo autor. Perceber que, muitas vezes, estamos mais envolvidos com o discurso amoroso do que com o ser amado, apesar de soar frio, pode ajudar a juntar os cacos de um coração quebrado.

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Mineiros Cavam no Escuro,
Daniel Eizirik e João Kowacs

De autoria ficcional e coletiva, o livro mescla diário de viagem, livro de artista e relatos “mockumentais” em uma obra única, reunindo liberdade estético-narrativa com grande domínio técnico e sensibilidade por parte dos seus criadores. O único defeito do livro é acabar, pois quando ele chega ao fim, fica a sensação de “poxa, eu queria ler e ver mais…” Daniel, idealizador e ilustrador do projeto, é um grande amigo e, sem conhecê-lo, talvez eu não tivesse me tornado um fazedor de livros.