21 CARTAS NA MESA DE
BETHANIA PIRES AMARO
o ninho
editora record
190 páginas
Lenio Carneiro Jr.: Esse é o Cartas na mesa, um espaço do Leituras para ouvir quem escreve a literatura brasileira contemporânea. Uma conversa em função do tempo sobre escrita, processos de criação e aquilo que ronda o que chamamos de literário.
A Bethania Pires Amaro publicou o premiadíssimo livro de contos O Ninho, publicado pela editora Record.
Bethania, estou muito feliz em conversar com você aqui. Você sabe que eu gosto muito do seu trabalho, te acompanho já faz um tempo, né? Obrigado por estar aqui. E para começar, eu quero te passar a palavra para você se introduzir para a gente, se apresentar da maneira como achar melhor.
Bethania Pires: Oi, Lenio, bom dia. Eu que agradeço o convite de estar aqui conversando sobre literatura com você, com todos os ouvintes. Enfim, bom dia, boa tarde, boa noite para quem está escutando. Eu sou a Bethania Pires Amaro, sou escritora e sou advogada. Nascida em Pernambuco, criada na Bahia. Costumo dizer que eu sou duas vezes nordestina, porque eu me considero também baiana. E resido já em São Paulo há muitos anos, há uma década. Trabalho aqui e foi uma cidade também que me acolheu muito bem. Então, estou com um pezinho em alguns estados aqui do nosso Brasil.
O Ninho foi o meu primeiro livro de contos, eu trabalhei nesse livro ao longo de dois anos. Eu e o Lenio fomos colegas na oficina do professor Assis Brasil, na PUC-RS. Ali eu amadureci o projeto do livro, que veio posteriormente a ganhar o Prêmio Sesc de Literatura em 2023. Foi publicado pela Record, e venho desde então trabalhando na promoção do livro para que o livro consiga chegar ao máximo de leitores possível.
Lenio Carneiro Jr.: Perfeito. E aí eu quero, para começar, pedir para você descrever onde você costuma escrever, se é uma mesa, onde for, fazer essa descrição para a gente se tem um lugar fixo. Se não tiver também, tudo bem.
Bethania Pires: Lenio, então, agora que eu sou mãe, eu estou organizando as coisas da casa para voltar a ter um lugar fixo, mas normalmente eu sempre escrevo numa mesa, com meu computador e os meus livros de referência. Eu sou uma pessoa que escreve cercada de livros. Consulto muitos livros durante. Inclusive no meu processo criativo, até mesmo para ir me conectando com determinadas técnicas, com determinadas ferramentas do texto. E esses livros normalmente me colocam naquele lugar de, digamos, familiaridade com aquilo que eu vou traduzir também para o meu texto, o que eu vou utilizar em termos de técnica, e também livros que, enfim, têm relação com o meu projeto, que são livros normalmente que têm temas ou personagens que conversam com aquilo que eu estou escrevendo, que me ajudam a entrar nesse estado de inspiração programado, digamos, que a gente se coloca num estado de inspiração para escrever, não fica parada, esperando. Então a gente tem que ir atrás um pouquinho dessa inspiração. E normalmente na minha mesa é isso, é o computador — eu não escrevo à mão, eu escrevo no computador. Uso o celular para algumas notas quando estou fora de casa, para não perder quando me surge alguma coisa, mas não sou uma autora que escreve à mão, já desde sempre, eu escrevo há muito tempo. Desde que o computador surgiu na minha vida, eu escrevo pelo computador, porque eu altero muito as versões, fica mais fácil de eu salvar, de eu acompanhar, de organizar… então é isso: computador, os livros e, se possível, silêncio, solidão, tranquilidade. Tudo que hoje em dia, com a bebezinha, está impossível.
LJ: Está faltando um pouco, né? Legal. Bom, e também quero saber se você gosta de carteado, se você gosta de jogar baralho, se é algo que está presente na sua memória familiar ou no seu dia-a-dia. Como que é isso?
BP: A minha família se juntava muito para jogar baralho, durante a minha infância, até mesmo adolescência, eu tenho muitas memórias da família reunida para jogar baralho. Jogávamos buraco, mexe-mexe, até pôquer meu pai nos ensinou quando a gente era mais jovem, apostando balas — e aí que eu descobri que eu sou muito ruim de pôquer, gente. Não tenho poker face, infelizmente. Então eu tive que ir para os outros jogos. Jogávamos, sabe, um jogo que abaixa as cartas? Não é o pife… é o copo d’água! Copo d’água, não é dos anos 2000, ali? Mas tem tempo, porque nunca mais eu joguei um baralho, viu?
LJ: Bom, a gente vai jogar hoje aqui, então, um baralho diferente, um baralho de perguntas, né, direcionado para descobrir e brincar com as coisas que rondam, então, o seu processo criativo, né?
Por que você escreve?
Difícil dizer exatamente o porquê. Eu escrevo desde muito criança, assim, eu tenho livrinhos a partir dos 7, 8 anos de idade que a minha mãe guardou e ao longo da minha vida escolar inteira, eu sempre estava escrevendo um livro, talvez por ser apaixonada por histórias e por querer contar as minhas próprias histórias. Hoje em dia, eu diria que a escrita nunca me abandonou. Mesmo em períodos em que eu dei um hiato, eu sentia falta de voltar ao texto, de me debruçar nessas narrativas, foi por isso que durante a pandemia eu retornei ao estudo da narrativa, que acabou culminando no projeto do livro. Eu acho que é uma pulsão interna realmente muito forte, uma espécie de alimento da alma, uma fonte da qual eu sempre vou ali atrás para beber um pouco. A literatura é realmente uma paixão imensa, não sei por que, mas é assim.
Você já foi contestada por algo que escreveu?
Contestada, não. Não, ainda não, mas sintam-se à vontade para entrar em contato e me contestar para me gerar essa experiência também.
Você tem medo da morte?
Olha, eu acho que uma vida bem fruída, uma vida em que a gente realizou aquilo que a gente se propôs a realizar não gera grande medo da morte, a não ser de uma morte muito sofrida, muito dolorosa. Mas de uma forma geral eu diria que não.
coleção vagalume
a marca de uma lágrima
pedro bandeira
Qual o primeiro livro que você lembra de ter lido?
Poxa, os primeiros livros que eu lembro, né, que estão na minha memória… eu tinha muitos livrinhos infantis, mas que eu lembro da história, que eu lembro dos personagens, eu acho que foram os livros ali da coleção Vagalume, eu li vários livros daqueles. O Pedro Bandeira que fez parte da minha formação enquanto leitora. Então A Marca de uma Lágrima, por exemplo, é um livro que eu lembro que li diversas vezes. Vou com ele, mas tiveram vários outros ali no mesmo período que realmente me colocaram nesse caminho da leitura.
Qual é o sentido humano mais importante?
Poxa, o sentido humano mais importante… eu teria dificuldade em colocar uma hierarquia. Para a gente que trabalha com literatura, com certeza a visão é bem especial, né, o contato com o livro. Embora felizmente a gente já tenha um grande acervo de livros em audiolivro. Mas eu vou com a visão especificamente pra mim que escrevo, mas enfim, todos são maravilhosos, sou muito grata por tê-los, então não quero prejudicar um em favor do outro.
Qual o seu pecado favorito?
Eu acho que a gula, viu, porque toda vez que eu tenho uma boa notícia, eu penso: vou comer um bolinho. Agora eu tô sem poder beber, por causa da amamentação, então sempre um chocolatinho, um bolinho. E aí eu acho que a gula é que me pega.
A palavra amplia ou condensa o mundo?
Olha, eu acho que as duas coisas. Tem frases que a gente lê que nos geram tanta repercussão, que repercutem tanto dentro da gente, que aquilo gera uma espécie de ampliação mesmo, de como a gente enxerga a vida, de como a gente enxerga uma determinada situação, determinado sentimento. E da mesma forma tem textos que às vezes a gente lê, que a gente sente que capturaram, em poucas palavras, uma experiência muito complexa de vida. Então, eu acho que a literatura tem esse maravilhamento, que é conseguir fazer as duas coisas: ela expande a gente e ela contrai também.
[Qual seu personagem favorito?]
Quando você começou a levar a escrita a sério?
Então, como eu comentei aqui com vocês, eu sempre escrevi, mas para levar a escrita para um lado mais profissional, enquanto ser o mais consciente possível do meu texto, foi realmente após a pandemia. Eu acho que muitas pessoas ressignificaram um pouco as suas trajetórias de vida naquele momento. Foi o que aconteceu comigo, eu vi que eu tinha deixado de lado algo que para mim era muito importante. Eu sou do direito, então eu já vinha ali há muitos anos entre OAB, universidade, pós-graduação, mestrado. Não que eu tivesse deixado de escrever completamente, mas estava ali um pouco de lado mesmo, algo que eu fazia de vez em quando, quando sobrava um tempo, que não era uma prioridade. E eu resolvi tornar isso uma prioridade para mim. Então foi depois desse evento lastimável que tivemos que passar que eu resolvi estudar mais literatura, me dedicar mais à minha narrativa, e, enfim, finalizar o projeto do livro.
temporada de furacões
fernanda melchor
Qual livro você gostaria de ter escrito?
Também uma pergunta difícil. O primeiro que me vem à mente é um livro chamado Temporada de Furacões, que se vocês não leram ainda, leiam, porque é incrível esse livro. Eu tenho me dedicado bastante à leitura de mulheres, principalmente brasileiras e latino-americanas. Fui ler razoavelmente recente esse livro, e ele é incrível, incrível. Fantástico em termos de tudo. É um livro que na minha opinião pontua nota máxima em todos os critérios. É um livro muito técnico, mas que também tem personagens muito aprofundados, tem um enredo muito interessante. Ele pega o leitor, o leitor não larga aquele livro. Tem uma série de pequenas surpresas que na verdade são aquelas surpresas meio inevitáveis quando a gente conhece melhor o personagem. Então realmente é um trabalho impecável, dentre muitos outros, mas esse foi o primeiro que me surgiu, então eu vou com ele.
socorro acioli
A literatura salva?
Eu acredito que não, a literatura não tem essa função de salvar, o peso de um salvamento é muito grande. A literatura nos estende a mão às vezes, nos esbofeteia outras vezes, às vezes é uma porrada, às vezes é um afago. A arte eu acho que é livre de qualquer função. Ela pode nos servir conforme o nosso momento, conforme a nossa personalidade em determinados momentos de vida, mas ela existe por existir. Pela beleza, pela liberdade. Sem função, sem ter que cumprir nenhum tipo de função.
Tudo é poesia?
Eu sempre admirei muitos os poetas porque não consigo escrever poesia. Embora adore poesia, consuma poesia, não é um gênero que eu consiga escrever, eu não domino a técnica da poesia. Então, concebendo poesia em sentido amplo, eu diria que a gente pode encontrar um pouco de poesia em tudo, e a partir daí, talvez, se a gente compreender essa poesia como uma sensibilidade no olhar, como uma forma de encontrar o outro de um modo não automático, de um modo um pouco mais específico, um pouco mais gentil. Então, nesse caso, eu diria que sim: a gente consegue arrancar a poesia até mesmo dos momentos mais difíceis e transformar isso em literatura.
Qual medo você já teve, e hoje não tem mais?
Deixa eu pensar… São difíceis as perguntas desse baralho. Quando eu era mais jovem, ainda estava buscando emprego, buscando uma colocação que me permitisse uma independência. Eu tinha muito medo de nada do que eu tentasse dar certo. Hoje, felizmente, eu sou uma pessoa que trabalha com algo que gosta em diversas frentes. Gosto muito do trabalho que eu realizo na educação, aqui no município de São Paulo. Gosto muito do trabalho literário que eu venho realizando. Então, esse medo, felizmente, ficou para trás.
O que não cabe à literatura?
Eu acho que é isso: não cabe à literatura salvar, não cabe à literatura dar nenhum tipo de lição de moral. Não cabe à literatura ficar ensinando de uma forma didática. Embora a literatura nos ensine muito o tempo inteiro sobre a humanidade, sobre a vida, sobre a experiência de ser humano nesse mundo que é compartilhada, muitas vezes, de forma semelhante entre várias pessoas. E também às vezes de forma muito dissemelhante e a gente encontra pontos de convergência mesmo na dissemelhança. Mas não é papel da literatura realmente virar um tratado didático, virar um fundo da moral e da ética e dos bons costumes, nem ter nenhum tipo de função de elevar a juventude, salvar o futuro. Eu acho que a literatura é livre de tudo isso.
Escrever uma frase impecável ou um bom capítulo?
Hoje em dia, acaba que as frases impecáveis se destacam nas redes sociais. Até quando eu leio, eu leio muito no Kindle, e quando a gente pega o livro, tem lá os destaques de marcação que outras pessoas marcaram, então eu noto que as pessoas gostam muito de frases impecáveis; frases que têm um efeito poderoso no leitor. Mas eu diria que, para mim, um capítulo bem estruturado, um capítulo que, ao final, você chega para, respira e pensa “meu deus!”, para mim, pelo menos, isso gera uma experiência mais poderosa, então eu vou com o capítulo.
Existe originalidade?
Eu acredito que sim, embora a gente sempre carregue conosco um grande número de referências, é impossível escrever totalmente desconectado de quem veio antes de nós, da literatura que vem sendo feita, desde a literatura clássica até a literatura contemporânea. Eu acredito que o escritor contemporâneo precisa conhecer a obra dos seus contemporâneos, de quem veio antes e de quem está fazendo a literatura junto com ele, justamente para se situar historicamente, para se alimentar de toda essa vida que está ali naquela literatura, de toda a técnica que está sendo produzida ali. E enfim, até para você conseguir ser original, você precisa saber o que está sendo feito. E embora você não vá reinventar a roda, eu acho que sempre há espaço para perspectivas originais, para perspectivas novas, que refresquem realmente o leitor sobre determinado tema. Então ainda que a gente já tenha trabalhado, digamos, os grandes temas universais, o olhar específico, aquela história que, como diz a Socorro Acioli, que é aquela história que somente a gente pode contar, eu acho que isso é original o suficiente para diferenciar um trabalho literário.
Seus pais são leitores?
Olha, meu pai já faleceu. Na minha casa eu sempre fui a que li mais. Embora meus pais fossem leitores ocasionais, sempre houve muitos livros na minha casa e eles sempre me incentivaram a ler. Então desde pequena, realmente, eles compravam aqueles livros de história, liam para mim, e a partir daí eu desenvolvi esse amor imenso pela literatura e acabei indo para esse caminho da escrita com seus percalços todos. Mas a minha família, eu diria, não é de leitores tão fortes assim, leitores tão frequentes, digamos. São leitores mais ocasionais. Algumas obras que chamam atenção, aí eles leem… o que também já está bom, porque hoje em dia eu acho que as pessoas têm que ler o que gostam no tempo que elas têm. Não existe nenhuma obrigação da pessoa devorar 500 mil livros no ano.
A vida é curta?
Eu acho que a depender também aí de como a gente olha, pode ser longa ou pode ser curta. A vida é suficiente, eu diria. É suficiente para que a gente consiga, na maioria dos casos, ter uma experiência memorável, positiva com aquelas pessoas que a gente ama. Obviamente que existem inúmeras realidades que tornam a vida muito mais curta para algumas pessoas, justamente pelas dificuldades de acesso que impedem que essas pessoas cheguem a determinadas oportunidades, então o tempo delas com certeza fica mais curto, né. Falando de uma forma geral, enquanto experiência humana, eu diria que não há tempo a perder, mas que também temos tempo para realizar o principal, aquilo que a gente se propõe a fazer de forma geral com algumas limitações. E infelizmente com pessoas com muitas restrições de acesso que a gente tem que tentar reduzir o máximo possível.
O que você faz quando sente dor de cabeça?
Olha, surpreendentemente é difícil eu sentir dor de cabeça, viu, é muito difícil eu sentir dor de cabeça. Quando eu tenho normalmente é coisa rápida, assim, eu tomo um chazinho e pronto.
Quais aplicativos, programas ou softwares te ajudam a escrever?
Ah, eu uso o Word para escrever, eu não uso programas específicos para escritores, acabo usando o mesmo Word, o Notas. Eu uso o Evernote no celular para organizar algumas notas que depois eu acabo passando para o computador. Programas, um ou outro. Eu tenho um programa que lê em voz alta para mim, é algo que eu faço durante a revisão do livro, para quando eu já estou com a leitura muito cansada e às vezes eu lendo em voz alta, eu também já leio automaticamente com erro. Então eu uso esse programa para repassar uma última vez ali o texto, e ter certeza que não passou nenhum errinho ali despercebido. Eu acho que esses. Eu tenho uns programinhas também de notas, mas nada muito mirabolante não, eu trabalho com básico mesmo em termos de software.
Você escreve, ou tenta, escrever todos os dias?
Não, não. Eu sou uma escritora que não consegue, nunca consegui escrever todos os dias. O que eu tento fazer é ter uma constância no meu projeto literário. Quando eu já comecei esse texto, normalmente eu estabeleço objetivos para mim mesma, que cabem dentro da minha rotina. Então, por exemplo, no último livro que eu estava escrevendo — estou escrevendo ainda, está em fase de revisão — eu colocava uma meta semanal, que era o que eu conseguia fazer. Porque durante o trabalho, às vezes durante a semana, se eu não conseguisse um dia ou outro escrever, eu conseguia me dedicar mais no fim de semana. Então eu não acho que o escritor precisa necessariamente escrever todos os dias, desde que ele tenha um compromisso profissional realmente com a sua escrita, não seja algo que vai ficar lá abandonado. Ou até mesmo quando a gente não está escrevendo, procurar estar em contato com formas de expressão artística que se comuniquem com aquele projeto: seja uma música, um filme, um outro livro que você vai usar de estudo, de referência. Então estar ali sempre trabalhando em torno daquele projeto é algo que eu acho importante, mas que não necessariamente precisa se traduzir em sentar para escrever todos os dias.
Álcool, entorpecentes, cafeína ou farmacológicos?
Olha, para mim, sono, que não está na lista. Mas assim… o álcool, de vez em quando é algo que me ajuda no meu processo criativo, às vezes eu tomo uma tacinha de vinho e aquilo me coloca em uma personagem específica que também está ali tomando um vinho. Mas de forma geral, para o meu descansar, para o meu relaxar e produzir mais inclusive, o que eu preciso é dormir. Eu sou uma dorminhoca, gente. De plantão. E agora que eu estou com a bebê, a dificuldade tem sido essa, porque eu sempre fui uma pessoa que precisa dormir muito, muito, para conseguir funcionar, e agora estou tendo que funcionar desse jeito, dormindo pouquíssimo.
casa de família
paula fábrio
LJ: Bom, legal, foram 18 minutos.
BP: Ah, olha só, até que foram várias perguntas, fui relativamente rápida.
LJ: Foram 24 aqui na minha contagem, se estiver certinho. Pois é, gostou?
[Não estava certinho, foram 21]
BP: Adorei, adorei, Lenio. É sempre bom conversar com outros escritores, com leitores e escritores sobre os nossos processos. Acho que a gente encontra vários pontos em comum e vai formando essa comunidade, porque a escrita é um trabalho muito solitário em determinadas fases. Então esse momento de celebrar conjuntamente, de conversar é muito gostoso.
LJ: De troca, né. Verdade. Concordo muito. E, bom, já encaminhando pro final. Já terminou o jogo. Eu queria pedir uma indicação de livro, que você leu, que você gostou recentemente. E indicar pro pessoal.
BP: Olha, eu vou indicar, então, Casa de Família, da Paula Fábio. Foi um livro que eu li recentemente. Acabou de ser lançado pela Companhia das Letras. É um livro que conversa muito com o projeto que eu estou desenvolvendo também, e que é um trabalho,realmente muito maravilhoso, feito pela Paula. Um tema que vai reverberar em muitos leitores, e feito de uma forma muito profissional. Enfim, como sempre são os trabalhos da Paula, para quem não conhece a obra dela, é uma autora muito impecável, então espero que vocês gostem, leiam. Eu adorei esse livro.
LJ: Então, Bethania, obrigado de novo pelo tempo, pela honestidade, pela conversa. Que esse livro que está no forninho faça tanto sucesso, seja tão bem lido quanto está sendo O Ninho. E te dar o último espaço para se despedir, falar qualquer mais alguma coisa.
BP: Obrigada, Lenio, pelo convite, foi muito bom estar aqui conversando com vocês, nessa manhã de sábado aqui para a gente, não sei para quem está escutando. Agradeço muito aos leitores que também têm me escutado, têm entrado em contato para conversar, para compartilhar suas opiniões sobre o livro. É por isso que a gente escreve, então esse contato é algo que eu… enfim, que me emociona muito. Então, obrigada pelo espaço, estou à disposição lá no Instagram para prolongar essa conversa.
lenio carneiro jr
é pesquisador, designer e escritor.