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caetano
romão

poeta e músico

nasceu em Ribeirão Preto, em 1997, e vive em São Paulo. Formou-se em Música Popular (Acordeão) pela Escola de Música do Estado de São Paulo e em Letras pela Universidade de São Paulo. atualmente é mestrando no programa de teoria e história literária da universidade estadual de campinas. Escreve poesia e se interessa pelas relações entre texto, musicalidades e performance.

seus poemas foram publicados em revistas digitais e lançou canil, sua primeira plaquete, em 2019.

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AO farol,
virginia woolf

Faz quase 10 anos que peguei o Ao farol. Ainda não reli. O que posso dizer é que, na época, ele me salvou de alguma coisa. Adolescência. Tudo angústia, sufoco, o pensamento a milhão. Então me deparei com uma escritora que conseguia escrever o pensamento. Assim mesmo. Esse livro me disse: Calma, você não está ficando doido.

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Aos vivos,
Chico César

Em 2013, meu pai me levou para um show do Chico César em Ribeirão. Uma releitura do seu disco Aos vivos (1995), porém com o nome atualizado Aos vivos agora. Me senti extremamente incluído nesse título rs. Raciocinei: Eu estou vivo agora. Eu tenho a ver com isso. É impossível pensar em poesia sem pensar nele, em como ele entoa imagens tão distantes. Himalaia himeneu / esse homem nu sou eu / olhos de contemplação. Encantamento puro.

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Como se estivéssemos em palimpsesto de putas,
Elvira Vigna

A Elvira consegue fazer algo comigo que é extremamente delicioso e difícil: me fazer gargalhar lendo. Ela mesma fala em uma entrevista: “meus livros são sobre morte, solidão, angústia, melancolia… mas você vai morrer de rir lendo“. O Putas é assim: fala de pessoas despovoadas, de um cotidiano corroído, das nossas mesquinharias mais enfurnadas. No fundo, esse livro escancara o vazio bem na nossa frente. Tudo com um humor impiedoso e uma inteligência feroz.

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Amada,
Toni Morrison

A obra toda da Toni me toca, principalmente, pelo modo como amarra a questão da voz das personagens com a experiência histórica e a violência. Para cada personagem, a autora cria uma sintaxe singular, um jeito único de sentir e falar o mundo. Esse livro, em especial, foi fundamental para eu refletir sobre as possibilidades – e a necessidade inegociável – de se pensar o horror, enunciar o horror, ainda que seja em meio dele.

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Os detetives Selvagens,
Roberto Bolaño

Choro toda vez que termino. O livro é um catatau: mais de 50 narradores ali se expondo, divagando, trapaceando, se confessando pra gente. A história em si é difícil de resumir. Nem vale a pena tentar. O ponto que mais me pega, talvez, é como Bolaño faz do coração do texto o tema do desaparecimento. Desaparecimento de pessoas, de objetos amados, de paisagens, gerações, até da própria literatura. Por tabela, resta ao leitor ter que lidar com esse susto permanente, com essa ânsia: algo já não está mais aqui onde estava. E então?

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Céu noturno crivado de balas,
Ocean Vuong

Li não tem muito tempo. Bateu forte. Há uma radicalidade na poesia do Ocean que me interessa muito. O modo como ele consegue mesclar ternura e atrocidade. Nos seus versos ele percorre tanto as paisagens próprias do sexo – o desejo aqui assumindo uma feição quase sempre noturna – quanto os ambientes da devastação, da guerra, da fuga. Gosto do Ocean, pois ele é delicadamente bélico.