antônio
xerxenesky

nasceu em 1984, em Porto Alegre, e radicou-se em São Paulo. Doutor em Teoria Literária pela USP e tradutor, é autor de F, As perguntas e Uma Tristeza Infinita

(foto: renato parada)

Eclesiastes,
Qohelet

de todos os livros bíblicos, é a esse que mais retorno, sempre intrigado. como canonizaram o maior compilado de dúvidas existenciais da história da literatura? a bíblia não deveria nos confortar? 

O homem sem qualidades,
Robert Musil

meu modernista favorito; musil é cerebral até o ponto de ruptura, até a hora em que a razão cede e se desmonta perante tantas contradições. 
 

O livro de travesseiro,
Sei Shonagon

uma dama da corte japonesa privada de escrever poemas no formato oficial precisou inventar a beleza e descobrir uma nova literatura, muito mais livre.

2666,
Roberto Bolaño

dediquei tantos anos de minha vida acadêmica destrinchando os meandros desse monstro disforme, excessivo, absurdo. é o maior registro que temos do desespero da literatura contemporânea, do apocalipse que se avizinha. e não se esgota.

noite e dia desconhecidos,
Bae Su-ah

fui tomado de surpresa pela obra dessa coreana, que pareceu me iluminar caminhos a seguir, rotas não trilhadas, um convite ao sonho que deriva da fragmentação do nosso capitalismo tardio.

O quarto de Giovanni,
James Baldwin

outra surpresa recente: que grande mestre de estilo é Baldwin. fala-se muito das ideias dele, do ativismo, mas costuma se esquecer a exuberância de seu estilo, que defino como uma permanente tensão calma.


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